Arquivo da categoria: Sistema Capitalista
(Foto: Google)
A quem interessa os padrões atuais?
Padrão de qualidade, modelo de excelência, agregação de valores e operacionalidade. Já perceberam o quanto estas palavras estão presentes na contemporaneidade e em todas as áreas da sociedade? Todos estes “modelos pós-modernos” procuram nos enquadrar nos limites do sistema vigente, que visa a todo custo manter o “status quo”, ou seja, a condição, a posição atual das coisas.
Assim que uma onda de inquietações populares se manifesta, aqueles que estão no topo da pirâmide e ocupam o poder [outorgado por meio do voto], encontram justificativas, desculpas, culpados e tentam abafar a crise. Fico estupefato com as desculpas proferidas. Elas, geralmente, são do tipo: “estamos sensíveis a esta situação”, “vamos criar um grupo para solucionar este problema”, “já nomeamos uma comissão para trabalhar em prol de uma solução”. No fim, tudo acaba sendo esquecido assim que surge um fato novo.
Os pobres mortais – desprovidos de imunidade parlamentar, condição financeira privilegiada e a possibilidade de ingressar nos ditos “centros de excelência de estudos” – são obrigados a estudar e a matricular seus filhos naquelas escolas que, a cada dia, se tornam mais sucateadas em função da falta de investimentos, ausência de seriedade e do descompromisso político com a educação.
Aqueles que, porventura, atingiram um patamar de vida um pouco mais elevado fazem questão de matricular seus filhos nas instituições que possuem as melhores notas, naquelas que mais aprovam no vestibular, ou melhor, no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Não percebem que o simples fato de ter seus filhos nestas “unidades de ensino” não garante que eles terão acesso a uma formação crítica.
Muitas pessoas ingressam numa instituição de ensino como se estivessem em um supermercado. Explico: fazem a matrícula em função do preço da mensalidade e pela nota das avaliações atribuídas pelo Ministério da Educação (MEC). Logo, o fato mais evidente é que tanto as instituições quanto as pessoas reduzem a educação a uma mercadoria, que pode ser comprada em qualquer prateleira. Desconhecem a chamada educação libertadora tão pregada pelo mestre Paulo Freire.
É fato que aqueles que estão de posse do poder, convidam quase que, diariamente, as pessoas a fazer exatamente aquilo que o Renato Russo [ex-vocalista da banda Legião Urbana] expressou na música Perfeição. Confiram parte da canção: “Vamos celebrar a estupidez humana, a estupidez de todas as nações, o meu país e sua corja de assassinos, covardes, estupradores e ladrões… Vamos celebrar a estupidez do povo, nossa polícia e televisão, vamos celebrar nosso governo e o nosso estado que não é nação…”.
