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Foto: Arísia Barros
Missa com nova feição
O ritmo do berimbau – instrumento que comanda a roda da capoeira; a força do som dos atabaques; as batidas do pandeiro, o dedilhar das cordas do violão e as notas e acordes da sanfona embalaram o cântico de entrada que recepcionou o povo que assistiu a Missa pela Paz, celebrada nesta quinta-feira (27), na Catedral Metropolitana, pelo arcebispo de Maceió, Dom Antônio Muniz; e presbíteros concelebrantes.
Esta missa dedicou os pedidos de oração da assembléia à acessibilidade da população afro-descendente em todos os espaços sociais. Durante a celebração, membros do MST trouxeram cruzes com os nomes de militantes do movimento que foram assinados em Alagoas. Elas (as cruzes) evidenciavam que até agora os culpados não foram punidos.
De acordo com a gerente de Educação Étnico-Racial do Estado, professora Arísia Barros, a Missa pela Paz busca congregar todas as paróquias na busca de traçar estratégias que conduzam a uma nova percepção das diferenças dentro da igualdade humana. “A temática proposta pelo arcebispo de Maceió estabelece bases para que o Estado, a Arquidiocese e a sociedade civil organizada estejam reunidos em um espaço de reflexão e ação”, disse.
O arcebispo de Maceió, Dom Antônio Muniz, disse que a Missa pela Paz serve para estabelecer um diálogo entre a comunidade. O objetivo é encontrar soluções para a violência que nos atinge. “O povo afro-descendente é um importante e significativo segmento da sociedade. Nós, igreja, queremos construir uma sociedade multirracial que contemple a diversidade”, disse o presbítero.
Missa – A Missa Pela Paz é celebrada na última quinta-feira de cada mês e tem como foco a súplica pela paz. Ele acontece devido à crescente onda de violência que assusta toda população alagoana e, principalmente, a de Maceió.
Foto: Cláudia Costin
Alagoas e seus desafios
Em conversa, por telefone, com Costin – que já foi consultora dos governos de Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe; e é especialista em gestão de políticas públicas, cursou doutorado em Gestão, mestrado em Economia e se graduou em Administração Pública pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV) – ela disse ao blogueiro que o cenário da educação brasileira ainda tem muitos problemas; e elencou, entre os motivos que levaram o País a esta situação, a formação inadequada de professores e os elevados índices de repetência e distorção idade-série.
Cláudia fez questão de frisar que há avanços positivos. Entre eles, a introdução de uma cultura de avaliação no Brasil, com o SAEB, a Prova Brasil, o ENEM, o IDEB e a participação no Pisa – Programa Internacional de Avaliação de Alunos, cuja principal finalidade é produzir indicadores sobre a efetividade dos sistemas educacionais. “É essencial destacarmos que tanto as escolas públicas quanto as da rede privada não se saíram bem na última edição do Pisa, realizada em 2006”, assegurou a palestrante.
Recentemente, o atual governador do Estado, Teotonio Vilela Filho, na posse dos novos diretores da rede estadual, em Maceió, destacou que o Estado possui metade da sua população abaixo da linha de pobreza, os maiores índices de mortalidade infantil e analfabetismo do Brasil e as menores taxas de saneamento e habitação. Sinceramente, ainda será preciso fazer muito para se tirar o Estado deste buraco sem fundo.
